Se você é adulto…
Primeiro, é bom a gente ajustar as expectativas. Não estou aqui para te mudar, nem para te dar conselho, nem para dizer o que fazer, porque esse trabalho é para os seus amigos. O meu trabalho é entender como você funciona nos seus pensamentos e emoções, ou pelo menos tentar entender.
Meu trabalho é tentar me colocar no seu lugar, tentar ver o mundo com os seus olhos e, da perspectiva de uma pessoa que está fora da situação, tentar te ajudar a enxergar outros pontos de vista além daquele que você já está apresentando.
Se você me conta que é ansioso, beleza, vamos trabalhar com isso.
Vamos tentar descobrir o que é que tá causando essa ansiedade, como é que ela funciona, como isso se reflete emocionalmente em você e como interfere na sua tomada de decisão. E aí você decide o que a gente vai fazer com isso.
Você é o piloto, e eu tô aqui servindo de navegador.
Se você me disser que os efeitos dela estão te atrapalhando, ou que você quer mudar a forma de reagir ou de enxergar a ansiedade, a gente consegue trabalhar nisso. Se você me disser que está de boa com isso e que a sua questão é outra, a gente também consegue trabalhar com essa ideia.
Você está no controle da sua terapia.
E o principal é que eu tô aqui pra ver o cenário inteiro. Não vou te tratar pelo nome de um diagnóstico e nem vou ficar agindo como se você fosse um coitado por ter um laudo. Meu trabalho é te entender como indivíduo e ver o mundo junto contigo.
Não te vejo como “o paciente ansioso”, “o paciente autista”, “o paciente depressivo”.
Eu vejo você.
E todos esses diagnósticos vão ser levados em consideração, mas de um jeito que permita à gente entender se, e como, eles fazem parte da pessoa que você é.